Importância da Podologia Geriatrica

A Organização Mundial de Saúde, o Estatuto do Idoso e a Legislação Brasileira classificam cronologicamente como idosos as pessoas com mais de 60 anos de idade.


Porém, as discussões acerca do tema envelhecimento têm ganhado maior atenção nas últimas décadas, isso porque no início do século passado, a longevidade do homem era bem menor, a média de vida era cerca de 50 anos.


Hoje, verifica-se um crescimento da taxa de longevidade, atingindo 80 a 90 anos com certa facilidade e tende a aumentar, devido ao desenvolvimento da medicina, principalmente no que se refere à prevenção de doenças e a melhoria na alimentação.
Pesquisadores defendem que a maioria dos seres humanos poderão viver até mais de 100 anos de idade muito em breve.
Isso nos leva a crer que a expectativa de vida está aumentando e a população de pessoas com 60 anos cresceu e vai continuar crescendo.


As pessoas idosas têm habilidades regenerativas limitadas, mudanças físicas e emocionais que reduzem a qualidade de vida dos idosos, e a realidade é que existem poucos profissionais especializados na área.


O Podólogo, como Profissional de saúde tem que estar atento a certos detalhes que fazem a diferença durante os procedimentos geriátricos.


Deve-se lembrar que os idosos não são todos iguais, cada um tem sua característica própria, por isso é importante que o profissional fique atento a pessoalidade (valorização do ser humano), pois quando recebemos o paciente ele vem como um todo, é importante então, conhecer a história de vida do paciente, muitas vezes eles oprimem um problema, ou usam alguma doença para chamar a atenção da família. É preciso estar atento também a doenças psicossomáticas que podem dificultar a cura de determinadas podopatologias em pacientes imunodeprimidos. Entender que eles podem ser um pouco impacientes pela própria condição ou limitações.
Podemos considerar por exemplo que os cuidados ao idoso normal é saudável são semelhantes aos prestados ao adulto saudável, porém o idoso frágil possui peculiaridades no seu atendimento.


Por isso é necessário conhecer os processos biológicos do envelhecimento e outros fatores como meio ambiente, acesso aos serviços e estilo de vida.


Ao longo dos anos, a pele, assim como todos os demais órgãos do corpo, sofre alterações e envelhece. Tais alterações levam à perda de elasticidade e luminosidade, surgem rugas e flacidez.


A pele, como um todo, está bem comprometida, a perda da elasticidade e da firmeza é perceptível e ela se torna muito mais fina, flácida, frágil, desidratada e desprotegida.


A renovação celular é bastante deficiente. A contínua diminuição das taxas hormonais impossibilita a recuperação natural da pele, podendo tornar-se áspera e descamativa.


A pele envelhecida tem menor quantidade de elastina e colágeno e vascularização normal. 


As funções imunológicas, principalmente aquelas ligadas à imunidade celular, também sofrem alterações, tornam-se ineficientes, propiciando ao idoso maior risco de processo infecciosos e inflamatórios.


No caso das mulheres, elas ainda sofrem as alterações ocasionadas pela menopausa, onde o nível de colágeno (proteína presente em grande quantidade na pele, nos cabelos, nas unhas, nos ossos e nas cartilagens, dando principalmente elasticidade e sustentação) fica reduzido em até 30% nos primeiros anos, promovendo – além das alterações ósseas conhecidas – o enfraquecimento e o envelhecimento da pele.


Nos pés, com o envelhecimento, acontecem alterações morfológicas, biomecânicas e funcionais que podem gerar lesões e incapacidades.
Observa-se alterações em todas as estruturas:
• Pele
• Unhas
• Circulação
• Músculos
• Articulação
 As curvas do pé mudam com o passar dos anos, pode ocorrer perda do arco plantar e alargamento do antepé e, isso faz com que o pé fique maior, menor, mais comprido ou mais curto, é bom orientar o paciente a comprar o calçado sempre pelo conforto e não pelo numero.


Outro problema muito comum é a perda do coxim plantar que é o amortecedor que temos na sola dos pés entre a pele e os ossos. A localização mais importante deste coxim é no calcanhar (na ponta, plantar, do calcâneo, que é o osso do apoio da sola do calcanhar) e sob as cabeças metatarseanas, na região logo atrás dos dedos ('bola do pé').Com a idade, este coxim tem uma predisposição natural do organismo a se degenerar e ir diminuindo a sua função viscoeslástica de amortecimento dos choques.


A Anidrose (diminuição ou ausência total da glândula sudorípara) também aparece nessa fase e suas características são descamação fina e ressecamento, diminuição  da elasticidade e fissuras cutâneas.
O podólogo precisa avaliar também o retorno sanguíneo, observar a presença de varizes e microvasos trombosados, pois pode apresentar enrijecimento vascular.
Na próxima edição abordarei as Podopatologias mais comuns que podemos encontrar nos pacientes idosos, assim como os cuidados podológicos adequados para cada caso, entre elas:


• Onicosclerose,
• Onicogrifose
• Onicomicose,
• Dedos em garra/martelo,
• Calos,
• Anidrose,
• Fissuras calcâneas,
• Maceração interdigital,
• Pé reumático